Entrevista com Michael Levine, ex-oficial da DEA, sobre a política norte-americana de controle do tráfico de drogas. - Por Radio Nizkor

Gregorio Dionis, Diretor da Equipe Nizkor, entrevista Michael Levine, ex-oficial da Drug Enforcement Agency (DEA) e adjunto desta agência na Argentina e no Uruguai entre 1979 e 1982. Esta entrevista foi realizada nos marcos do “Seminário sobre estados de exceção e estratégias para a paz e defesa dos direitos civis”, organizado pela Equipa Nizkor e realizado em Bruxelas de 27 a 29 de março de 2003.

Trata-se de um testemunho único de alguém que conheceu profundamente a relação entre os serviços de inteligência e os mercados de produção e distribuição de droga, tanto no Sudeste Asiático como na América Latina.

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Gregorio Dionis: aparentemente não deveria entrar o tema do narcotráfico nem do crime organizado, mas ocorre exatamente o contrário. Na realidade estamos falando de estratégias para a paz e a defesa dos direitos civis na Colômbia, além de outros países. E nesse lugar específico do discurso para a paz é necessário tocar a fundo o tema do narcotráfico, como também o é, se quisermos falar da paz no sudeste asiático ou da paz no Afeganistão.

Não são muitas as pessoas no mundo capazes de fazer uma interpretação global da política norte-americana com relação ao narcotráfico. E não o são, entre outras coisas, porque se trata de um tema obscuro que está situado no que se denomina de política negra dos países, de muitos países e de muitos ministérios de relações exteriores. Michael Levine é um alto oficial da DEA que conheci durante um colóquio internacional sobre as drogas realizado em Paris, em dezembro de 1992, pelo então existente Observatório Geopolítico de Drogas, e que foi organizado conjuntamente com o que então era a Comunidade Econômica Européia, cuja conseqüência mais direta foi a criação posteriormente de um Comissário de Drogas ou de Narcotráfico no contexto da política européia.

Naquela oportunidade tive a sorte de poder falar durante várias horas com Michael Levine e sua companheira Laura Cavanot de Levine. Ambos criaram um discurso que permite entender muitas das coisas dessa política obscura. Michael Levine produziu vários livros que são referência obrigatória no caso do narcotráfico na América Latina. É também uma referência obrigatória para entender o que aconteceu na Bolívia, na Argentina e posteriormente no México e outros países onde o narcotráfico se colocou entre as fontes de financiamento das políticas governamentais.

É muito pouco conhecido, mas a guerra na América Central, tal qual se conheceu durante os anos 80, a partir do lado que se denominou de Guerra Suja ou Guerra Encoberta ou Operações Encobertas, de diferentes nomes, dependendo da fonte de fala, foram financiadas pelo narcotráfico, a partir da cocaína da Bolívia e do mercado nascente da heroína que se trasladou àqueles lares exatamente para poder financiar uma longa guerra que desestabilizou todo o continente e que ainda hoje em dia, trinta anos depois de haver começado este período perigoso da política anti-subversiva na América Latina continua dando o que falar.

A Colômbia é um modelo de financiamento da guerra e das operações militares através do narcotráfico. Por mais que o governo colombiano negue e queira mostrar ao resto do mundo que não é assim, na realidade todos sabemos que o financiamento da guerra por parte do Estado colombiano é realizado desde há muitos anos com o tráfico de drogas.

Michael Levine nos explicará em uma longa entrevista alguns aspectos desta política, mas basicamente é importante entender que se trata de um testemunho direto de uma pessoa envolvida na luta contra o narcotráfico em uma agência policial como é a DEA norte-americana; portanto é um testemunho único e insubstituível para entender o que dissemos no início: A Política Norte-Americana para as Drogas ou para o narcotráfico, que é o título da palestra que lhe pedimos para o seminário que organizamos em Bruxelas como forma de ajudar a compreender o quadro e o contexto em que se produz o conflito colombiano e quais são as alternativas reais e viáveis para encontrar uma paz com justiça social e com o reconhecimento dos delitos que ali são cometidos:

SUA INICIAÇÃO NA DEA COMO AGENTE SECRETO

Gregorio Dionis: em primeiro lugar agradecer que tenha aceitado participar desta questão...

Michael Levine: bem, estou aqui para isso.

Gregorio Dionis: O que ia te pedir é que fizesses uma pequena apresentação pessoal. Quem és? O que tens feito? Por que estás aqui?

Michael Levine: Em primeiro lugar sou um veterano da DEA com 25 anos de serviços. E a partir de minha aposentadoria da DEA no ano de 1990 comecei uma carreira de consultor-testemunha-especialista em assuntos relacionados com operativos secretos, direção de informantes, inteligência humana, uso de força mortífera da polícia e qualquer coisa relacionada ao tráfico de drogas internacional e aqui nos EUA. Nisto eu trabalhei muito intensamente durante os últimos doze anos, trabalhando sobretudo com advogados de defesa, mas de vez em quando há escritórios de procuradorias gerais de diferentes estados aqui nos Estados Unidos que também me empregam com expert em todos esses assuntos. O que mais quer saber? Há livros!

Gregorio Dionis: Essa é uma das questões. Poderias nos contar um pouco sobre os livros que tens escrito? Um breve resumo do que contas em cada um desses livros?

Michael Levine: Bem, o primeiro livro no qual eu tive participação foi com o título “Undercover”, ou seja, encoberto. Esse foi escrito por Donald Gardeth, jornalista do New York Times durante minha carreira. Quando ele estava escrevendo o livro eu ainda estava trabalhando como agente secreto pela DEA. Este livro traz um enfoque da minha carreira desde muito cedo, de minha juventude; de todas as coisas que tinham a ver com a educação que eu tinha nas ruas de Nova Iorque, que me preparou perfeitamente bem para a carreira de trabalhar em segredo, ou seja, eu tenho diploma da rua, diploma dos embates duros e não há melhor preparação para o trabalho secreto.

Eu comecei a trabalhar encoberto e me dei conta muito cedo em minha carreira de que toda a guerra às drogas, não há outra maneira de dizer, era uma fraude. O que acontece é que eu era crente e esse livro capta todos esses anos. Eu era crente em toda a filosofia e toda a política de guerra às drogas, ou seja, que o inimigo número um é o vendedor, o fornecedor de drogas; um estrangeiro, um tipo com pele como a minha, escura, perigoso, na América do Sul, na Tailândia. E temos que fazer qualquer coisa para destroçar este inimigo para proteger nossos filhos. E ao mesmo tempo eu tinha um irmão que se meteu com heroína aos 15 anos de idade e eu era crente número um.

O meu primeiro caso no qual eu comecei a aprender a verdade e não podia evitá-lo, foi quando eu me metia com traficantes chineses na Tailândia, durante a Guerra do Vietnã. E este também era um caso encoberto, Undercover. E este foi um caso mais ou menos famoso, dos traficantes que foram introduzindo heroína nos Estados Unidos ocultada nos cadáveres dos nossos soldados que foram mortos no Vietnã. Ao final das contas eu fui à Tailândia e me meti com esses traficantes e eles se encantaram comigo. É que eu caibo perfeitamente no enquadramento de um mafioso número um e os chineses tinham total confiança em mim. E me convidaram a ir aonde eles descreveram como a “feitoria”, onde em 1971, durante a Guerra do Vietnã, estavam produzindo toneladas de heroína. E depois de dois ou três meses trabalhando encoberto, sob uma situação, viajando dentro do Camboja até a Tailândia, a CIA então se mete. Isso a primeira vez em minha vida, se mete no caso a CIA e me dizem: “Levine, pare por aí, não queremos que vá mais além”. O porquê, eu me dei conta depois, foi que os traficantes maiores, nessa região do mundo, no tráfico de heroína eram aliados da CIA na Guerra do Vietnã. Eu não podia acreditar nisso; eu era um bom soldado, não percebia porque antes disso eu estava no Exército norte-americano, acreditava no sistema, cumpria ordens. E quando a CIA me disse: “você não sabe de todos os interesses que funcionam agora; você não conhece o desenho grande. Você tem que confiar em nossa palavra, sendo um bom soldado: pare por aí”. E o fiz. E depois percebi que a CIA então estava protegendo os traficantes que estavam introduzindo heroína nos Estados Unidos dentro dos cadáveres dos nossos jovens. Vocês não podem imaginar como isto me causou impacto. Eu não queria acreditar nisso, não podia acreditar e continuar trabalhando porque então eu tinha meu irmão que estava sofrendo por causa da heroína e depois, como te disse, se lançou às drogas aos 15 anos de idade e aos 37 anos de idade meteu em si uma bala escrevendo uma carta: “Perdoe minha família, meus amigos, eu não podia mais agüentar a droga”.

Imagine como eu poderia continuar meu trabalho se havia absolvido a verdade; não podia absolver isso, não podia conceber isso. Isso era uma opinião impensável. E eu continuei trabalhando; trabalhando encoberto, atuando em caso após caso. E depois vamos discutir o tema de informantes porque esse é um tema que não estou tão seguro de que vocês estejam a par exatamente sobre o que significa o uso de informantes no mundo da droga. Vocês têm que ter em mente que 99% dos casos de tráfico de drogas começam, decolam através de informações, do trabalho de informantes. E voltando àqueles anos, eu era muito bom no trato com informantes. Eu sabia bem como dirigir os informantes; eu sabia como pensavam os informantes porque eram criminosos e eu fui criado na rua; a metade dos meus amigos era criminosa. Eu vivi uma vida bastante experimentada. Estou procurando outra maneira de descrever isso. Eu atuei em milhares e milhares de casos: heroína, cocaína, traficante. E outra coisa é que eu fui criado em um bairro latino de Nova Iorque e aprendi, como nós dizemos na rua, Spanglish (mescla de espanhol e inglês); e eu podia conversar sem lições, porque minha primeira namorada era porto-riquenha, eu tinha 13 anos de idade e todos os meus amiguinhos eram também boricuas (porto-riquenho). Nessa época não havia muito oficiais, não havia muitos agentes da DEA ou de outras agências que podiam se defender em espanhol e começar a ingressar todos.

O tráfico de cocaína foi aumentando tremendamente e a maioria dos traficantes era de fala espanhola. E me colocaram na rua trabalhando, fazendo-me passar por traficante; e comecei a atuar em caso após caso de cocaína, às vezes duzentos quilos, cem quilos. E naqueles anos esses casos foram tremendos. E me passaram para trabalhar na Argentina onde eu desempenhava o cargo de adjunto da DEA. Mas a maior parte de meu trabalho na Argentina foi fazer me passar por traficante, meio siciliano, meio porto-riquenho, conhecendo traficantes em todos os países. E lá eu conheci gente ligada a Roberto Suárez.

E sobre essa história eu recomendo que obtenham uma cópia não impressa, que se pode obter através da Internet facilmente. Saiu também na América do Sul sob o título de “A Grande Mentira Branca”. E a história de Roberto Suárez é que ele também se encantou comigo, tinha muita confiante em mim, acreditava em mim. E a minha infiltração junto ao pessoal de Roberto Suárez veio através de um informante de confiança de Suárez, como em todos os casos. E ele me apresentou como gente de confiança; no final das contas chegamos a ter naquela época o maior caso da história do tráfico de drogas.

QUEM ERA ROBERTO SUÁREZ, SUA RELAÇÃO COM OS DENOMINADOS “NOIVOS DA MORTE” DO EX-SS NAZISTA KLAUS BARBIE E A POLÍTICA DE SEGURANÇA NACIONAL EM INÍCIOS DOS ANOS 80 EM PAÍSES COMO BOLÍVIA, PARAGUAI, ETC... E DE COMO MUITOS DOS MERCENÁRIOS DE SUÁREZ ERAM INFORMANTES DA CIA.

Gregorio Dionis: Por que não explicas um pouco quem era Roberto Suárez? Sua relação com aqueles grupos dos “Noivos da Morte” e também com a política do que se chamava de “Segurança Nacional” naquela época na Bolívia, Paraguai, para os que nos ouvem possam ter uma opinião mas clara do que aconteceu.

Michael Levine: Roberto Suárez era, segundo o contador do cartel de Medelim, que foi testemunho perante nosso congresso, o maior traficante da história, o mais poderoso, maior e mais poderoso do que qualquer colombiano. Ele, naquela época, controlava 99% do produto que saiu da Bolívia, a pasta básica. Daí a pasta básica foi para a Colômbia para ser transformada em cocaína. Sem a pasta básica não haveria mercado de cocaína. Roberto Suárez foi o controlador de toda a cocaína neste planeta quando eu o conheci. E ao mesmo tempo ele tinha seus soldados de segurança sob controle de Klaus Barbie, o nazi fugitivo. E a maioria de seus seguranças era de ex-oficiais SS do exército nazista. Ele tinha também um grupo que se chamava então de “los fianzes de la muerte”. E esse grupo também incluía agentes da França, mercenários de todos os países do mundo que vieram para a Colômbia trabalhar como assassinos, não há outra maneira de descrevê-los. E gente bem experiente em métodos de tortura; esse foi seu exército.

O que acontece foi que eu me meti... tinham confiança em mim e atuamos em tremendos casos e todos caíram presos. Pudemos conseguir êxito nesse caso com a filha do presidente Lilia Geiler, naquela época. Segundo a CIA ela era esquerdista e o que eu não sabia, o que a DEA não sabia durante o caso do operativo secreto foi que a maioria das pessoas vinculadas a Roberto Suárez fosse informantes, agentes da CIA. E a CIA ia protegê-lo a qualquer custo. O que aconteceu foi em toda a história... vale a pena ler o livro, acredite. E o caso terminou em Miami. Eu pagava a dois sócios de Roberto Suárez US$ 8 milhões, naquela época era o maior cargo da história da cocaína. E caíram presos no ato José Roberto Gaza, de uma das famílias mais poderosas da história da Bolívia e Alfredo Cutuchi Gutiérrez. Os dois caíram presos. E saiu na imprensa em todo o mundo como uma tremenda vitória da DEA na guerra às drogas. E todas as manchetes foram fraudulentas porque três semanas depois derrubaram as acusações contra... o juiz de Miami derrubou todas as acusações contra José Roberto Gaza, baixou o valor da fiança de Cutuchi Gutiérrez e ele fugiu dentro de 24 horas. E os dois voltaram à Bolívia e ajudaram a começar a Revolução da Coca para se desfazer das pessoas que nos ajudavam. E para fazer isso tiveram que tomar o controle de todo governo, exatamente em 17 de junho. Isso é exatamente o que aconteceu. O golpe de Estado.

O GOLPE DE ESTADO, CONHECIDO COMO A “REVOLUÇÃO DA COCA”, LEVADA A EFEITO NA BOLÍVIA COM A INTERVENÇÃO DA MARINHA ARGENTINA E A COLABORAÇÃO DE ROBERTO SUÁREZ

Gregorio Dionis: Para completar o tema: esse é o golpe famoso no qual participam os argentinos diretamente junto com o que podemos chamar as tropas de Suárez?

Michael Levine: Exatamente, precisamente os argentinos. Eu me dei conta... duas ou três semanas depois eu estava trabalhando encoberto com outro boliviano. Eu o conheci em um hotel em Buenos Aires, o Shereton, e toda a conversa foi gravada pelos argentinos. E durante esta reunião ele me deu uma mostra de 1 onça de coca pura. Ele queria outro traficante - isso se pode ler no livro também. O tipo me disse: “olha, tu tens que vir à Bolívia fazer a transação porque é muito perigo fazer a transação aqui na Argentina”. Eu lhe digo: isso é impossível porque há pouco tempo a DEA agarrou todas as pessoas importantes de vocês. Ele me disse: “não há problema, não há problema. Isso foi um tipo aqui na Argentina, judeu castanho”. Ele me disse isso frente a frente, está me descrevendo. Eu tinha um informante ao lado, um alemão louco. E eu lhe disse: ah sim?! Um judeu castanho? Como era o tipo? O tipo está me descrevendo na minha frente! Bem, se todos os traficantes fossem muito inteligentes não haveria uma guerra às drogas, não é?

No final das contas essa reunião aconteceu 8 ou 10 dias antes do golpe e durante a reunião o tipo me diz: “dentro de pouco tempo vai haver um golpe e os traficantes Roberto Suárez e seu grupo vai se apoderar de todo o governo e vai ser como fazer uma transação em sua própria casa; estamos seguros, não haverá nenhum problema”. Bem, fizemos um acerto: o tipo me disse que me faria chegar, 100, 200 quilos de coca e depois ficamos no acordo de que eu iria à Bolívia depois do golpe e imediatamente depois as pessoas que me davam cobertura; a pessoas encobertas dos argentinos que me tinham sob vigilância; as pessoas que estavam escutando as conversações em outros quartos queriam matar este senhor. E aí começamos uma disputa entre a DEA e os oficiais secretos da Argentina. E em uma conversação gravada na minha própria casa com estes tipos, me dizem: não percebes Levine o que está acontecendo aqui: braço esquerdo não fala com o braço direito? Nós estamos trabalhando para a CIA com essas pessoas. Se esse golpe vai acontecer os argentinos estão trabalhando nisso para a CIA e não podemos deixar este tipo vivo. Porque tua nação e nossa nação vão ficar desmoralizadas perante o povo. Não podemos permitir que essa informação saia na imprensa e nunca saiu na imprensa. Essa é uma das razões pelas quais escrevi o livro A Grande Mentira Branca. Essa é a história, exatamente como aconteceu.

A RELAÇÃO DA MÁFIA DA CÓRSEGA COM O CARTEL DE JUÁREZ DO MÉXICO E OS MILITARES ARGENTINOS (CASO AUGUSTE RICORD).

Gregorio Dionis: a outra questão: estava o grupo, agora não lembro o nome, o grupo que tinha relação com os corsos; aqueles famosos da Frent Conexion do Paraguai, que estavam envolvidos também com o tráfico de drogas com Suárez e com os argentinos desde o começo da história. Bem, eu não sei exatamente quando começou. Mas em fins dos anos 60 ou inícios.

Michael Levine: Sim, isto aconteceu muito antes. O caso famoso de Auguste Ricord. Auguste Ricord foi um tipo francês que foi trabalhar para os nazistas. Foi condenado à morte pelos franceses e fugiu para a América do Sul onde ele criou uma organização que os promotores de Nova Iorque chamaram de “Triângulo da Morte”. Triângulo porque o tráfico de drogas foi assim. A heroína veio da América do Sul pela a Europa e na América do Sul empacotaram carregamentos de heroína e cocaína para enviar aos Estados Unidos. E dinheiro foi dos Estados Unidos para a Europa até a América do Sul. E as cidades principais de todo o tráfico foram Macés, no Paraguai, Buenos Aires e Nova Iorque. A máfia de Nova Iorque trabalhando com o grupo de Auguste Ricord e com a máfia da Córsega. O ópio vinha da Turquia até Macés onde era transformado em heroína. Essa é a história. Eu estava trabalhando com o grupo que estava investigando Auguste Ricord Naquela época eu era bastante jovem e caiu preso um dos traficantes que se chama Claude Pasteaux. O chefe me colocou para trabalhar e me encontrar com Claude Pasteaux durante dois ou três meses e me inteirei de todo o operativo. O que então ninguém sabia; isso foi no ano 71, 72, foi que Auguste Ricord também era agente da CIA, protegido pela CIA.

Esse foi mais ou menos o processo de educação para nós, saber a verdade, Deixe-me dizer: neste momento há muita gente lá dentro que sabe a verdade, mas tem muito medo, estão na metade de sua carreira. É suicídio dizer a verdade aqui nos Estados Unidos.

A RELAÇÃO ENTRE AS OPERAÇÕES ENCOBERTAS (GUERRA SUJA) EM ZONAS DA AMÉRICA CENTRAL E AFEGANISTÃO E A CUMPLICIDADE DA DEA E DA CIA COM O NARCOTRÁFICO

Gregorio Dionis: há uma questão que está clara: que há uma relação direta, historicamente demonstrável, entre as operações encobertas (guerras sujas), para chamá-las assim, como na América Central ou no Afeganistão e o financiamento com a droga. Acho que poderias explicar um pouco o que foi a época da heroína proveniente do Afeganistão e como isso tinha relação direta com a guerra naquele momento contra os russos.

Michael Levine: Claro. O que acontece é que a CIA reconhecia muito cedo que a guerra às drogas foi uma fraude. Evidentemente se tomou uma decisão de usá-la como ferramenta, como maneira de financiar sem que o congresso norte-americano tomasse conhecimento dos objetivos. O que faziam naquela época e continuam fazendo hoje em dia é deixar que seus aliados, agentes que estão trabalhando ao lado da CIA, fazendo o que queiram, possam se financiar eles mesmos com o tráfico de drogas. Exatamente o que aconteceu na Tailândia, por exemplo. Estes foram nossos aliados na guerra do Vietnã, vendendo heroína aos Estados Unidos. Bem, a CIA não participou do tráfico, mas protegeu os aliados, enquanto os aliados usavam parte dos fundos cumprindo as metas da CIA. Deixaram correr e a mesma coisa aconteceu em 1985, 86. Eu estava trabalhando em um caso e - vocês têm os recortes - com gente de John Garthen. Queriam me matar e tentaram me emboscar, segundo este recorte; mas a história desse objetivo é muito interessante porque a heroína veio do Paquistão e eu me fazia passar por traficante paquistanês com os italianos, com Tonito Fingido e tudo isso. Eu o estava vigiando, mas a verdade foi que empregamos um informante. O caso começou com um traficante paquistanês que me vendeu um quilo de heroína; e ao mesmo tempo o que estava acontecendo era a guerra contra os russos no Afeganistão e a CIA estava utilizando como trampolim armas, dinheiro, qualquer coisa do Paquistão. E os traficantes paquistaneses foram os mais importantes para a CIA como aliados ao movimentar armas, dinheiro, qualquer coisa porque eram os mais experientes no movimento através das fronteiras. É lógico, não? E os traficantes paquistaneses e afegãos foram logicamente usados pela CIA contra os russos na guerra.

RELAÇÃO ENTRE CRIME ORGANIZADO, TRÁFICO DE DROGAS, LAVAGEM DE DINHEIRO E OS SERVIÇOS DE INTELIGÊNCIA

Como conseqüência nós enviamos um informante e esse paquistanês me fez a entrega de um quilo de heroína e caiu preso no ato. Através desse caso adquirimos um informante que podia viajar dentro do Paquistão e identificar todas as fontes de heroína; exatamente o que fez. Enviamos esse paquistanês ao escritório da DEA no Paquistão e o colocaram para trabalhar secretamente dentro de todas as tribos. Naquela época estavam enviando qualquer quantidade de heroína aos Estados Unidos e ao mesmo tempo estavam trabalhando para a CIA. E o que acontece? Nada. O tipo vem, identificou determinado número dos líderes do tráfico e recolhe as provas encontradas e não acontece nada porque a CIA entrou para protegê-los, entende? E fez um tremendo truque, uma tremenda fraude para o povo norte-americano, para os contribuintes durante as últimas três décadas porque a guerra às drogas começou com o presidente Nixon, que declarou a “Guerra às Drogas” em 1971. São mais de três décadas e o povo norte-americano já pagou um US$ 1 trilhão para ganhar uma guerra e a situação agora é pior do nunca. O que mais se necessita provar de que isso é uma fraude? Paga muito dinheiro e não recebe nada! Igualmente uma fraude! É ou não verdade?

O CASO DA AMÉRICA CENTRAL NOS ANOS 80-83 E A SEMELHANÇA COM O CENÁRIO COLOMBIANO ATUAL

Gregorio Dionis: a mesma situação aconteceu no ano 80- 83, no famoso caso da guerra na América Central. E neste momento podemos dizer que este mesmo cenário se está vendo na Colômbia no que foi o confronto entre os cartéis de Cali e o de Medelim e a colaboração direta na guerra fictícia, a guerra como é denominada nessa região

Michael Levine: sim, os contras. O que para mim é incrível é que Deus queria que eu participasse de tudo. Aparentemente esse foi meu destino porque eu comecei a trabalhar encoberto no caso que resultou no livro Deep Cover. O que aconteceu durante esse operativo foi que eu conheci traficantes muito importantes da Bolívia e também... (vocês têm um recorte das filmagens secretas de uma das reuniões chave). Eu também fazia me passar por chefe da máfia dos Estados Unidos com o mesmo truque: meio italiano, meio porto-riquenho, dois deles que eu conheci; gente do exército mexicano. Eu conheci lavador de dinheiro no Panamá, conheci o grupo de traficantes bolivianos que continua sendo um dos maiores grupos do planeta, que agora se chama La Corporación. Fizemos muitas reuniões gravadas. Acontece que de todas as reuniões no Panamá, Bolívia, Califórnia, México, houve uma transação que se tratava de quinze toneladas de cocaína proveniente da Bolívia e os traficantes tentavam fazer me chegar o carregamento através do México com o apoio do exército mexicano. Daí iam nos ajudar a cruzar a fronteira até os Estados Unidos com uma tonelada de cada vez. Assim chegamos ao contrato de quinze toneladas. Vocês têm isso em filmagem, se vê o neto do ex-presidente do México através de uma mesa dizendo-me: “sim, vamos ter o exército aí ajudando o avião, descarregando com nafta, protegendo-lhes”. Preço: US$ 1 milhão cada tonelada de cocaína. Fizemos todo o trato. Entra a CIA outra vez. Tudo isso filmado. Estamos examinando um mapa do México: “quando exatamente ia acontecer isso ou outra coisa”. O coronel Jaime Carranza, neto do ex-presidente diz: “ah, neste ponto aqui estamos treinando os contras”. E daí caiu o caso. Estamos atuando com gente que estavam ajudando os contras. E muitas outras complicações, por exemplo, naquela época o governo norte-americano e o governo mexicano queriam que passasse no congresso norte-americano a lei que se chama Nafta. Um dos tipos que estavam lá na mesa foi um dos guarda-costas do presidente do México Carlos Salinas de Gortari. Esse tipo me disse que... isso foi como seis meses antes da eleição do presidente. Da famosa eleição. Esse tipo me disse diante de câmeras: “quando ele for Presidente não vai haver nenhum problema, podemos trabalhar abertamente; a fronteira para você, Miguel (meu encoberto) vai ser aberta”. Nosso governo não podia permitir que saísse essa notícia e ponto final. Porque se os contribuintes norte-americanos naquela época se dessem conta disso jamais seria aprovada a lei do Nafta.

No final das contas, como eu descrevi no livro Deep Cover, tiveram que abafar o caso. Exatamente o que fizeram. Abafar o caso para que não saísse a verdade. E qual é a verdade? A guerra às drogas é uma fraude! É preciso levar em conta que o povo nos Estados Unidos está pagando por essa guerra com a crença de que o objetivo é derrotá-los nas cúpulas. O que o povo não percebe é que não se pode... porque todas as pessoas no topo é gente protegida. Não se pode! Igualmente uma fraude! É muito importante que me entendam. Deixe-me te dizer algo particularmente para o teu grupo. Antes que acabemos eu tenho um tema bastante importante para você pensar e considerar.

POR QUE A GUERRA CONTRA AS DROGAS É UMA FRAUDE PARA O CONTRIBUINTE NORTE-AMERICANO

Gregorio Dionis: há um tema para completar o cenário de toda essa questão da luta contra a droga que Nixon lançou, como bem me explicavas. Nixon começou a chamada guerra contra os corsos. Então isso nos traz a colecionar o tema da relação entre crime organizado - máfia norte-americana, máfia corsa, máfia siciliana e a relação do tráfico de drogas, da lavagem de dinheiro e com os serviços de inteligência, que é um pouco a história da Itália, da luta dos juízes como Falconi, luta desigual contra um Estado, que era parte da própria máfia.

Michael Levine: exato. Essa é a história. Atualmente a máfia não tem muito a ver. Eu diria que não representa mais do que 1% de todo o tráfico de drogas. Não conta com muito... não tem muito a ver com o tráfico de drogas. Não representa nada na verdade em comparação com os afegãos, os paquistaneses, a gente do “triângulo de ouro”, as repúblicas que antes foram da União Soviética, a América do Sul. O México conta com imensa quantidade de drogas. Agora observando todo o mundo, a Colômbia continua no topo; a Bolívia, todos os países. O que acontece é que não existe guerra às drogas. Deixe-me ver se eu posso explicar exatamente como funciona a fraude: primeiramente, como é que o povo norte-americano, os contribuintes, depois de três décadas, possam continuar pagando esse imenso... o orçamento para este ano é de US$13 bilhões com a guerra às drogas; pagam a conta aqui nos Estados Unidos. Como é que isto pode continuar apesar dessas cifras? Bem, é fácil compreender aqui nos Estados Unidos porque os meios de comunicação continuam vendendo ao povo a idéia de que é válida essa guerra, apesar das cifras. Por exemplo, há uma associação aqui nos Estados Unidos que se chama Associação para uma América Livre das Drogas. Essas são como uma máfia porque não há o menor interesse realmente de tirar a droga dos Estados Unidos porque todos os milhares e milhares de empregados dessa associação estão ganhando tremendos salários e também têm benefícios médicos; têm também aposentadoria. Depois de três décadas há milhares de pessoas já aposentadas. Você acredita que alguns empregados dessa associação realmente querem que não haja problema de drogas nos Estados Unidos? É ridículo! Além disso tinha um orçamento de US$ 2 bilhões para pagar anúncios antidrogas. Bem, os especialistas aqui nos Estados Unidos dizem que a maioria desses anúncios que digam: NÃO, etc, etc, fazem o contrário: provocam um aumento do uso de droga, mas isso não faz parar essa associação. E os meios de comunicação não querem dizer a verdade porque estão recebendo os US$ 2 bilhões para divulgar esses anúncios falsos.

O PROBLEMA DO EMPREGO DE INFORMANTES FALSOS

Há muitos interesses criados para manter essa guerra falsa para sempre. Não vai parar. Mas o tema mais importante para vocês, tocando na questão dos direitos humanos. Toda essa guerra funciona com base no uso de informantes. 99% dos casos descobertos da guerra às drogas começam com o uso de informantes. Esse é primeiro programa que vocês têm nessa fita. E no final da fita há todo o programa que se chama Informants (Informantes), que é sumamente importante mundialmente. O informante é um delinqüente, um mentiroso. E ele é responsável por toda a informação sobre a qual emerge a guerra às drogas. E de minha experiência 99% são mentiras. Mas a pior das mentiras, a mentira que provoca... eu diria que aqui nos Estados Unidos provocou a prisão de mais de trezentos mil pessoas injustamente por causa de fraudes. Eu diria que 80% dos casos que são julgados e que resultam em prisões nos Estados Unidos vêm como resultado de embustes. Isso é importante em todo o mundo porque se há essa porcentagem aqui nos Estados Unidos imagine o que está acontecendo em todo o mundo. Por exemplo, se um informante trabalha encoberto durante um ano e tem que testemunhar... bem os verdadeiros traficantes imediatamente saberão a identidade desse informante e ele não pode continuar trabalhando com traficantes reais. Deixe-me explicar um caso verídico de Nova Iorque: eu estava trabalhando com um grupo a algumas quadras aqui em Nova Iorque. Eu tinha sob meu comando uns 15 oficiais. Cada oficial tinha uns 10 informantes. Eu tinha sob meu comando 150 informantes e um dos informantes se chamava Papo, um porto-riquenho de Nova Iorque. E Papo conhecia uma dezena de taxistas envolvidos com o tráfico de drogas. Eu não podia acreditar. Como este tipo pode continuar se encontrando com taxistas que são traficantes? Bem, eu percebi exatamente como foi truque: não há taxista aqui em Nova Iorque que não tenha conexão com alguma pessoa, com uma fonte de droga. Se você estivesse comigo aqui em Nova Iorque iríamos à rua, procurávamos um taxista e perguntávamos: onde podemos comprar coca? Eu te dou US$ 20,00 para me dizer. E 90% vão nos levar a um ponto onde há um tipo que vende coca. É fácil. É como biscoito aqui em Nova Iorque. Então Papo, o que ele fazia era ir à rua procurar taxista, mas não que seja apenas taxista, mas taxista que é o dono do táxi. Por que? Segundo a lei norte-americana pessoas que vendem drogas o governo pode tomar todos seus bens, todo seu dinheiro. E o informante fica com uma porcentagem de até 10%. E um táxi aqui em Nova Iorque vale US$ 300 mil. Se ele conseguia convencer o taxista a se envolver com o tráfico e ficava com o mínimo de US$ 30 mil. Não deixa de ser muito para dois ou três dias de trabalho, verdade? Então Papo vai à rua e procura o taxista e diz: olha rapaz eu preciso de cocaína, estamos festejando; se você me traz uma coleção eu te dou US$ 100,00. E ao mesmo tempo está prestando atenção em quem é o dono do táxi. E o taxista diz: não, eu não quero me meter com isso. Finalmente ele consegue convencê-lo e chegam ao ponto. E agora Papo lhe diz: olha, o tipo não me conhece e você tem que me apresentar. Eu te dou US$100,00 extras. Finalmente o taxista o leva, apresenta-o com seu amigo e o vendedor de coca vende a Papo uma onça, meia onça, o suficiente para ficar preso para sempre por duas ou três vidas. Depois de telefonar para mim Papo telefona novamente para o taxista, desta vez gravando a chamada e diz: olha, irmão, podemos fazer a mesma coisa? Eu te dou US$500,00 desta vez porque a primeira saiu perfeitamente bem. E o taxista no mínimo está se cagando de medo e não sabe como responder e diz: Ok! Vamos nos encontrar naquela esquina. Papo traz a fita ao meu escritório e diz: eu tenho um taxista que está formando um grupo de vendedores de coca. No final das contas ele faz dois ou três casos e através do taxista vem um oficial trabalhando encoberto e o taxista com os vendedores ficam presos durante muitos anos e os vendedores jogam a culpa no taxista por ser informante. Quem sabe vai acabar morto na prisão. Mas sob a lei... foi enganado. Eu trabalhei por todo o mundo pela DEA. É pior em outros países porque é mais fácil que os informantes tramem e isso provoca mortos em qualquer caso que você possa imaginar. E os oficiais não querem se omitir porque se beneficiam dos casos. O que é sumamente importante para os oficiais que estão comandando a DEA, qualquer agência de polícia aqui ou mundialmente que está trabalhando para cumprir a lei sobre o tráfico de drogas, são os resultados. Quantas pessoas foram presas, quantos bens e propriedades confiscamos, etc, etc; porque isso é o único que interessa ao congresso norte-americano. E a base de tudo é os informantes. Eu te juro meu irmão, eu te digo que 80% até 90% dos casos são falsos, são sujos. Não podes imaginar a quantidade de gente presa sob as leis sobre o tráfico de drogas. Para mim é mundialmente inconcebível. Para vocês é algo a ser explorado.

AS POLÍTICAS ANTIDROGAS DEPOIS DO 11 DE SETEMBRO

Gregorio Dionis: Sabemos disso e ultimamente inclusive tivemos casos de caminhoneiros espanhóis detidos, acusados falsamente na fronteira com o Marrocos para fazer a cobertura da polícia marroquina que necessita das estatísticas de prisões. Bem, isto termina mais no orçamento mas do que por outra coisa. Eu gostaria de fazer a última pergunta antes de terminar: o que aconteceu depois do famoso 11 de setembro com essa série de políticas do atual governo norte-americano com o problema da repressão à droga?

Michael Levine: agora as pessoas que estão comandando a “guerra às drogas” estão vinculando o tráfico de drogas com o terrorismo. Mas essa é a verdade. Graças à CIA essa é a história do terrorismo, não é? Porque os mujahedim, os contra-revolucionários, os aliados na guerra do Vietnã aprenderam com a CIA como se financiar; e isto continua até hoje. E a partir do 11 de setembro o tráfico de drogas se torna mais importante do que nunca para os aliados dos EUA e para os terroristas também. Em outras palavras, vai continuar sendo importante.

Para mim há certas coisas que eu aprendei depois do 11 de setembro; de situações e fatos que para mim são incríveis, sendo eu um expert no uso da inteligência humana. Por exemplo, o FBI em 1993, seis meses antes do primeiro ataque ao World Trade Center, tinha um informante infiltrado dentro da Al Qaeda, um ex-policial egípcio que se chama Salim. Salim é um tipo bastante vivo; gravava todas suas conversas com os oficiais do FBI. E o que aconteceu foi... e isso não foi publicado em nenhum lugar... eu tenho as provas dessas conversas gravadas. Este Salim se infiltrou neste grupo de terroristas que se chama Al Qaeda e nesse momento estavam planejando e realmente fabricando a primeira bomba que explodiu. E o FBI não acreditou nele. Os oficiais do FBI estavam lhe pagando então um salário de US$ 500,00 por semana. E o chefe do grupo que comandava esse informante disse: “eu não acredito nele, vamos demiti-lo, não vamos mais pagar o salário dele”. E quando o demitiram este Salim gravou a conversa e eu a tenho. E durante a conversa se ouve ele dizendo ao oficial do FBI: “já estamos preparando a bomba, vai explodir e vocês não vão ter a mínima idéia de quem é o responsável”. Disse o oficial: “eu estou metido com essa gente e não posso acreditar nisso”. Isso é exatamente o que aconteceu. Demitem o informante e sete meses depois a bomba explode no World Trade Center. E este foi o mesmíssimo grupo responsável pelo 11 de setembro! O que estou dizendo é que o FBI e a CIA já tinham um informante metido no grupo em 1993.

Gregorio Dionis: a história que se repete.

Michael Levine: exatamente. É incrível. Eu mando para você. Eu tenho em inglês um CD que contém esta conversação. É incrível. E não interessa aos jornalistas aqui nos Estados Unidos publicar isso. Eu não sei explicar isso; é um mundo para mim bastante estranho. Mas eu continuo com o meu trabalho. O que quer que eu te diga mais?

Gregorio Dionis: Pareceu-me muito bom. Bom, lamento que termine, uma saudação e espero que possamos continuar em contacto sobre estes temas com mais tranqüilidade.

Michael Levine: Tomara!

Gregorio Dionis: Até logo!